quinta-feira, julho 02, 2009

Nossa brincadeira de faz-de-conta

Minha irma mais nova sempre foi mais corajosa embora eu fingisse que isso nao era verdade. Nos costumavamos dizer que nao gostavamos uma da outra porque nenhuma de nos era capaz de admitir o contrario. A gente ainda evita dizer que nos importamos mas a verdade eh que estamos conectadas e ninguem pode mudar isso.
Lembro dessa tarde de verao quando tinhamos cerca de 4-6 anos e estavamos brincando na calcada usando nossos vestidos de sao joao como sempre faziamos. Fingiamos ser apresentadoras de programa de culinaria, e quem ousaria dizer que aqueles pratos com areia umida e flores coloridas nao pareciam deliciosos?
Na frente da minha casa havia essa pequena arvore que era como um parque de diversoes para ela e eu sempre que desejavamos nos aventurar entre seus galhos e dessa vez queriamos ir ainda mais alto. Minha irma foi primeiro, claro, e eu ia logo atras inventando razoes sem sentido para ser mais devagar quando na verdade eu simplesmente era muito medrosa para acompanhar seu passo.
O vendo soprava nossos vestidos e eu podia sentir o cheiro do bolo da minha mae vindo na cozinha e nos lembrando do que nos aguardava mais tarde. O tronco ainda estava molhado por causa da chuva da noite anterior, o que fazia nossa aventura ainda mais arriscada.
De repente eu ouvi um "crack" seguido por um longo silencio. Nao pude evitar: fechei os olhos e abracei o tronco com toda minha forca temendo as consequencias daquele som. Minha irma estava deitada no chao - parada. Desci da arvore mais rapido do que jamais conseguira e corri para a minha mae tentando explicar o que acabara de acontecer mas sem ouvir qualquer som sair de minha boca. Eu a guiei para o local do acidente onde encontramos minha irma, agora tentando caminhar com seu rosto palido.
Demorou alguns minutos ate que ela fosse capaz de respirar normalmente e chorar um pouco. Ela me olhou com aqueles olhos molhados raramente vistos por mim, agradecendo e me dizendo que me amava sem proclamar palavra alguma. Eu sei que deveria ter respondido dizendo o quanto me assustei quando vi seu corpinho caido no chao mas eu so olhei de volta e virei pro outro lado. A gente tinha que continuar com nosso jogo de faz-de-conta. Alem do mais, todo mundo sabe que eu me assusto muito facil mesmo.

(290608 - para a aula de creative writing, mesmo nao sendo tao creative assim)

2 comentários:

Maria E. Luna disse...

haha, eu também brinco disso com a minha irmã. não sei porque, mas também amo a minha irmã, mesmo dizendo que às vezes a odeio, e ela sempre dizendo o mesmo de mim, hihi. já impedi a morte dela na piscina quando tinha poucos anos e até hoje não sei como me joguei na água com tanta força e a tirei de lá. apesar de tudo, digo que não a amo. espero que ela não leia isso! puf...

Alex disse...

q texto massa jullie e bom saber q agora v6 sabem o quanto se gostam.=]